27 julho, 2010

Recorte do não e talvez


Um ambiente frio. Não rolei escada abaixo, mas ali senti o corpo dolorido, mastigado. Desde que ouvi dela o não e suas ações comigo continuaram indiferentes à decisão, passei a imaginar como seria se tivéssemos adiado a tal conversa e forçado o certo, nós, no plural. Só senti o efeito disso tudo, aquele dia, naquela despedida.

Sua forma de lidar com a situação, não me ajudava em nada a supera-la, ela e a situação. Latências e ausências mesclaram-se sinuosamente durante alguns dias, ou melhor, durante o terço dos dias que torturado passei ao seu lado, distante um palmo.

Esquecia o incômodo da solidão quando via escapar de seus lábios um sorriso. Fazia questão de tentar vê-lo uma vez mais e inventava jeitos para isso. Mas foi a presença constante de um cenho franzido que, naquele dia me fez sentir nulo ao seu lado, para não dizer excesso, infantil e pálido.

Por que não me disse o talvez? Uma das mais insensíveis respostas, porém, sempre acompanhada de expectativas que nos forçam a ser otimistas.

Roda na minha cabeça um filme, o filme da noite que começamos. Não sei lidar com noites, sou um ser diurno e não há o que contestar, as mazelas que acometem a minha pessoa surgem ou viram realidade após a meia noite. A imagem é tão límpida quanto a intenção que via nos olhos dela. O som, as luzes, as mãos eram movimentos sem peso de consciência, o refrão que ela fazia questão de entoar... Unitários por fim viraram par, duo, binários. No entanto os pensamentos, as ações a o coração não andam no mesmo compasso.

Foi com o não e um leve encostar de lábios em uma bochecha suja de penugem, que permaneci imóvel naquela encruzilhada, obrigado a respirar fundo e seguir com meu corpo surrado n'outro rumo. Sempre assim. Mas não sai da cabeça como teria sido se eu tivesse ouvido dela o talvez.

7 comentários:

Caio Domingues disse...

Porra... gostei muito... mas nao sei o que comentar... merda

Joka disse...

Caralho, mano. Caralho.

Ana Rocha disse...

Fiquei sentida!

Gisele disse...

Lindo, lindo, lindo! Não despedice o seu talento!!!!

Diego disse...

o engraçado é que faz sentido. In real life, saca?
Mas achei um pouco exagerado em algumas partes. Não vejo seu estilo em alguns trechos. Vejo uma tentiva e tentativas, na maioria das vezes são válidas, mas sem perder a mão.
Você me conhece. Sempre tenho uma crítica. Sou um frustrado profissional.

Flávia disse...

foda! escreve escreve escreve

kel disse...

Fiquei também uns 10min pensando num comentário, só vou te parabenizar e ponto final rs