Vogal & Consoante
20 junho, 2012
Do amanhã
14 agosto, 2011
#1 Letra & Música
Sem Você
Composição: Carlinhos Brown / Arnaldo Antunes
pra onde eu vou agora livre mas sem você?
pra onde ir o que fazer como eu vou viver?
eu gosto de ficar só
mas gosto mais de você
eu gosto da luz do sol
mas chove sempre agora
sem você
às vezes acredito em mim mas às vezes não
às vezes tiro o meu destino da minha mão
talvez eu corte o cabelo
talvez eu fique feliz
talvez eu perca a cabeça
talvez esqueça e cresça
sem você
talvez precise de colchão, talvez baste o chão
talvez no vigésimo andar, talvez no porão
talvez eu mate o que fui
talvez imite o que sou
talvez eu tema o que vem
talvez te ame ainda
sem você
06 fevereiro, 2011
De uma tarde de sol

27 julho, 2010
Recorte do não e talvez

26 julho, 2010
Um dia, uma infância

A família apesar dos pesares, nos momentos em que esquece o desconforto e a ausência paterna, vive feliz. A mãe é figura dominante no dia da casa. Às tardes vai ao rio que corre perto do sitio para lavar as xícaras, panelas e banhar as crianças. A menina é de se encantar com as cores que preenchem o sitio, principalmente das flores pequenininhas que cobrem a copa, flores que só depois de adulta descobrirá se tratar de ipês amarelos. Uma de suas maiores alegrias em dias ensolarados é ajudar a mãe a carregar a cesta de milho verde. Seu irmão mais velho, mais magro e moreno é seu maior companheiro de pesca de pesca no rio, sempre às escondidas, enfeitando a infância.
Numa tarde de pouco sol a menina fica incumbida de cuidar das duas irmãs, a caçula de nove meses e a terceira dos quatro filhos. Como é linda a caçula, tem a pele apessegada, rechonchuda, com dobrinhas em todo o corpo, lindos cabelos negros e encaracolados. Dorme sorridente na rede listrada, pendurada por cima da cama dos pais. O quarto, pequeno e abafado, não tem guarda-roupas, ararás, prateleiras ou dessas coisas da cidade grande. A família arranjava-se com um varal sobre a rede, com as roupas e lençóis pendurados, como que guardados.
A menina está em outro cômodo da casa, entretida com ela mesma, até que escuta um grito ardido. Fica aflita, pensa logo na pequenina e corre para o quarto. Ao abrir a porta, sua outra irmã está em pé num tamborete de madeira contemplando curiosa o rosto da recém-nascida, um candeeiro de chama dançante, erguida acima da altura da cabeça... A menina não compreende o que está vendo, percebe labaredas de fogo, retalhos e fumaça misturadas com os agudos gritos do pequeno bebê. Corre ao encontro da mãe, lhe diz que há fogo na casa, que o bebê estava no quarto, que a irmã acendeu um candeeiro, que as roupas... Percebe a feição da mãe mudar. Das mãos firmes dela, caem a cesta de milho. Não sabe o que pensar...
O lindo bebê deixa a casa por um tempo. O tratamento dura algumas tristes e silenciosas semanas e a criança é mandada de volta para cuidados no sítio. A menina vê que sua irmãzinha não é mais a mesma. Seu corpinho já não é mais o mesmo. Após algumas dias de cuidados e reservas a pequenina deixa a casa, agora para sempre. Passa a predominar no sítio, uma sensação cortante, amarga. A menina passa a não mais contar com olhar confidente da mãe, menos ainda com o seu amor. Sofre desprezo e culpa indevida ao mesmo tempo, por um longo tempo. Mas cresce. Decide um dia procurar o seio materno para chorar o que não conseguiu no fatídico dia. É ouvida. Recupera a coragem para continuar crescendo e mais tarde compartilhar esta história - numa tarde também de pouco sol, sob lágrimas e infinitos outros detalhes - com os próprios filhos.
(Texto elaborado para fins acadêmicos. Adaptado para o blog com uma mescla de realidade e ficção, assim como fazemos quando relatamos algum episódio do passado em uma conversa.)
14 julho, 2010
Porque boas ideias não podem ser desperdiçadas
